Um pouco da minha razão, um pouco do meu coração e um pouco da minha alma. (E agora um pouco da minha crise de vestibulanda, rsrs.)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Tenho vergonha de mim

"Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!


De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto!"
(Cleide Canton e Ruy Barbosa)

sábado, 20 de novembro de 2010

A CELEBRAÇÃO DA VINGANÇA

Pra Vilma Reis


Morre negro, morre branco
Mas só negro sofre o tranco
De morrer pela polícia
Branco ladrão tem malícia
Gravata e talão de cheque
Negro é sempre moleque

A polícia corre atrás
De bandido e manda bala
Mas na ponta de sua fala
Só o negro é inimigo
Assim também é demais
O negro corre perigo

De morrer por qualquer ato
E o que digo é fato
Estampado nos jornais
Os brancos são maiorais
Mesmo quando criminosos
Cruéis, perversos, dolosos

O branco nunca que cai
Alvejado pelos “home”
Da lei que nunca que vai
Atirar em quem tem nome
Só o negro, pobre ou rico
É o alvo preferido

Do racismo incrustado
Na estrutura do país
Isso pouco que se diz
É tão pouco revelado
É preciso que se diga
Polícia vê inimiga

Toda população negra
Por isso nunca que chega
A matança escancarada
Enquanto a minoria rica
E branca vive blindada
E como que se explica

Só matar o jovem negro
Digam qual é o segredo
Do boy rico ser poupado
Em confronto com a lei
O pobre negro tombado
Branco vive como rei

Mas toda essa violência
Tem uma justificativa
Um álibi de matar
O “auto de resistência”
Que o golpe militar
Usava de forma ativa

Para matar adoidado
Com ela qualquer soldado
Podia matar livremente
Na maior impunidade
Bastava sentir vontade
E essa coisa indecente

Ainda hoje que rola
O racismo faz escola
Até mesmo no PRONASCI
Falam “mancha criminal”
Pedem que você abrace
Essa coisa infernal

Que é “mulheres da paz”
No fundo a pessoa faz
É delatar criminoso
Tornando mais perigoso
Viver na comunidade
A paz não é caridade

É trazer educação
Trabalho com dignidade
Saúde, capacitação
Para a população negra
Alcançar sua liberdade
Pois ainda vive presa

Pelo racismo assassino
De menina e de menino
Negro e também mestiço
Só branco é fora disso
Ele vive no conforto
Enquanto o negro é morto

Em vários tipos de morte
Provocadas por racismo
No trabalho, na escola
Nas relações pessoais
Negro só pra jogar bola
Divertir os maiorais

Só assim o negro serve
Enquanto o sangue não ferve
E arrebenta as algemas
Muda de vez essas cenas
Não mais “presunto” criança
Mas celebrar a vingança


Geraldo Maia


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

GERAÇÃO DE MARÇO

"Somos culpados em máxima culpa








porque maximizamos as desculpas






e minimizamos fazer!"


Geraldo Maia